domingo, 16 de novembro de 2014


VI FÓRUM SOCIAL DE PALMELA


No passado dia 13 de novembro, a Biblioteca Municipal de Palmela foi palco de um importante encontro, promovido pelo CLASP (Conselho Local de Ação Social de Palmela), subordinado ao tema Portugal 2020: Que Oportunidades para um Crescimento Inclusivo?
Na parte da manhã, na sessão de abertura, o Dr. Adílio Costa, Vereador e Presidente do CLASP, falou-nos sobre a Rede Social de Palmela, seguido de outros distintos oradores, nomeadamente o nosso Presidente da Autarquia, Dr. Álvaro Amaro.
Logo de seguida, os Engenheiros Luís Machado e Demétrio Alves apresentaram aspetos técnicos da CCDR-LVT (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo) e da AML (Área Metropolitana de Lisboa). Após um breve intervalo, foi a vez da Drª Manuela Sampaio da ADREPES (Associação para o Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal). E assim, após um pequeno debate, terminou o primeiro painel, moderado pelo representante da Autarquia, Dr. Joaquim Carapeto, dedicado ao tema: Portugal 20 – Operacionalização na Região de Lisboa. Estratégias e Instrumentos Locais.
Após o almoço, decorreu o segundo painel, intitulado: As Práticas e as Experiências Inspiradoras, moderado pela Drª Sandra Araújo, representante da EAPN (Rede Europeia Anti Pobreza Portugal).
A primeira oradora, Drª Carlota Quintão, da A3S (Associação para o Empreendedorismo Social e Sustentabilidade do Terceiro Setor), além de ter desafiado os presentes para a definição de Rede Social, deu-nos a panorâmica histórica do conceito de associativismo e apresentou o modelo da Inovação Socia e seus estádios em espiral. Depois referiu algumas instituições com as quais trabalha, como a Casa do Trabalho e a Cooperativa de Solidariedade D. Leonor.
A segunda oradora, Drª Cláudia Pedra, apresentou o tão dinâmico, mas ainda pouco conhecido projeto designado BVS (Bolsa de Valores Sociais), plataforma que produz «lucro social» e já beneficiou mais de 28 000 pessoas em poucos anos. Os projetos são cotados como se da Bolsa se tratasse e qualquer pessoa pode comprar ações (custam 1 euro), apesar de terem empresas fidelizadas. Falou-nos de vários projetos em concreto, como Cozinhar o Futuro, ADENORMA, Projeto Ouço, Logo, Vejo e outros. Para mim, este foi o momento mais interessante, tal como o do debate que se seguiu.
Após uma emocionante atuação de jovens da APPACDM, foi a vez da conferência A Rede Social e o Acordo de Parceria 14-20, proferida pelos representantes do IESE (Instituto de Estudos Sociais e Económicos), Drª Catarina Pereira e Dr. Rui Godinho; foi também muito interessante e colocou a tónica no envolvimento das populações, sublinhando o papel pioneiro da nossa autarquia neste âmbito. Foram apontados outros desafios contemporâneos, como a Governança Multinível, a Orientação para os Cidadãos, a Integração Territorial de Políticas e a orientação para os Resultados. Sobre este aspeto, a assistência manifestou preocupação com esta onda focada em resultados e os efeitos perversos que podem daí advir, dando mesmo o exemplo das escolas que trabalham em função de rankings, formatando alunos e rejeitando os que poderão inquinar os resultados, caminhando para a exclusão, em vez da inclusão pretendida.
Relativizou-se estes medos, convocando os conceitos de ciclo avaliativo e teoria da programação que não têm sido levados a sério.
No fundo, como a ciência social é, em termos históricos, ainda muito recente, o positivismo e a obsessão pelo quantitativo ainda imperam. Confunde-se, muitas vezes, fins com meios e o segredo está no modo como se deverá traçar os objetivos e ainda no uso da avaliação criterial. A medição deve fazer-se em função do ponto de partida, nunca esquecendo que a meta deve ser o mais ambiciosa possível, mas os objetivos deverão ser sempre alcançáveis.
TURMAS «A» E TURMAS «F» …



O título parece estranho, não é?
Pois é, mas toda a gente sabe que, há uns anos a esta parte, com o acesso ao ensino de cada vez mais pessoas (o que é ótimo), começou a hierarquização artificial dos cursos do ensino secundário (o que é péssimo).
Mal acabavam o 9º ano, os melhores alunos eram afugentados (pelas famílias e pelos próprias escolas, o que é ainda mais lamentável) das áreas consideradas menores, por terem menor grau de empregabilidade futura e, assim, esvaziaram-se as Humanidades e as Artes, por mero mercantilismo e pato bravismo!
 Criaram-se turmas A, com as ditas elites, e turmas F/G/H com os «restos»! Uma espécie de bipolarização interna, correspondendo grosso modo à bipolarização externa entre escolas públicas e privadas, esta também um mito!
A par de tudo isto, houve docentes que se atualizaram, às suas custas, e outros que continuaram como estavam!
As gestões das escolas tornaram-se mais profissionais … ou talvez não!...
 A legislação foi mudando e surgiu a obrigatoriedade de se nomear para cargos de coordenação quem tenha formação em supervisão pedagógica!
Mas, como neste país à beira mar plantado, os traumas de séculos de inquisição e meio século de fascismo, associam, erradamente, supervisão a inspeção, ignorou-se aquela cláusula e continuou o critério dito mais democrático de escolha dos decisores pedagógicos. Continuou-se a colocar nos orgãos importantes pessoas muito esforçadas e empenhadas, mas nem sempre atualizadas. Aquela máxima do «faz-se o que se pode e com muito boa vontade»… nem sempre chega!
E agora? Já temos as turmas A carregadas de alunos mal preparados, mal comportados e não sabemos o que fazer com eles!
Culpa-se as famílias?
Culpa-se os jovens?
Assume-se a natural heterogeneidade da população estudantil?
Giza-se estratégias adaptadas ao século XXI?
Ou mete-se o lixo para debaixo do tapete?
Penso que os docentes mais jovens têm uma melhor preparação, pois os que conseguem já entrar no sistema, são mesmo bons, são melhores do que os da geração anterior, porque foram preparados de outro modo. Estão mais atualizados cientificamente e têm um maior respeito pelas pedagogias e pelas didáticas. Porém, não terão, nos anos mais próximos, qualquer poder de decisão ou mesmo de pressão, devido a uma cultura escolar baseada na antiguidade, na identidade/bairrismo e em outros pressupostos mais ou menos lobistas!
Os antigos docentes que se atualizaram são uma minoria e muitos estão na prateleira, por motivos óbvios.
Se estes paradoxos não forem rapidamente assumidos, debatidos, minimizados, ultrapassados…se, parafraseando João Gil, continuarmos a ter Medo de Existir, dificilmente nos adaptaremos aos verdadeiros desafios da sociedade do conhecimento!


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

 A «ÚLTIMA» LIÇÃO DO PROFESSOR ESTEVES PEREIRA





NA PASSADA TERÇA-FEIRA, O AUDITÓRIO B DA REITORIA DA UNIVERSIDADE NOVA, ENCHEU-SE DE PESSOAS QUE GOSTAM MUITO DO PROFESSOR ESTEVES PEREIRA E NÃO PODIAM DEIXAR DE O SAUDAR NUM DIA TÃO IMPORTANTE.VÁRIOS ORADORES, COMO O ATUAL REITOR, PROFESSOR ANTÓNIO RENDAS, PEDRO TAVARES DE ALMEIDA, NUNO SEVERIANO TEIXEIRA E JOÃO LUÍS LISBOA, TECERAM SENTIDOS ELOGIOS À NOTÁVEL AÇÃO DO PROFESSOR ESTEVES PEREIRA COMO ACADÉMICO E COMO AMIGO.

DURANTE UMA HORA, ASSISTIMOS À DENOMINADA ÚLTIMA LIÇÃO, CUJO CONCEITO FICOU LOGO ALI DESCONSTRUÍDO. 

JÁ ASSISTI A MUITAS ÚLTIMAS LIÇÕES, MAS ESTA FOI, SEM DÚVIDA, AQUELA QUE ME FEZ PENSAR NO RIDÍCULO DA DESIGNAÇÃO! COMEÇANDO PELO ÉTIMO DA PALAVRA HUMILDADE (VEM DE HÚMUS=TERRA, CHÃO), ESTEVES PEREIRA, O MAIOR ESPECIALISTA EM HISTÓRIA DAS IDEIAS, MOSTROU QUE ESTA NOVA ETAPA DA SUA VIDA PROMETE MUITO E ESTÁ PARA DURAR.PARTINDO DA SUA EXPERIÊNCIA ACADÉMICA DESDE OS TEMPOS DE COIMBRA E DO CONVÍVIO COM SILVA DIAS, LEVOU-NOS A PERCORRER COM ELE ESTE PORTUGAL DESDE OS ANOS 60 ATÉ HOJE.

NO FINAL, UM DOS NETOS OFERECEU-LHE UMA CANETA E AS EMOÇÕES ESTIVERAM EM ALTA.

DEPOIS, COMO ERA O DIA DE S. MARTINHO, NÃO FALTARAM AS CASTANHAS E A JEROPIGA.

OBRIGADA, PROFESSOR, PELA NOBREZA DO SEU CARÁTER E PELA SIMPLICIDADE E HUMILDADE, QUE SÓ OS GRANDES ALCANÇAM.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

DOÇURA OU TRAVESSURA?



A tradição do Halloween entranhou-se no nosso país com a mesma rapidez dos hambúrgueres!
 E soa mais a negócio do que a tradição!
Substituir o Pão por Deus por aquilo que considero o estímulo ao pequeno crime, por exemplo, entranhando pastilha elástica na fechadura de quem não adere a esta palhaçada (sim, vi um adulto estimular o seu rebento a praticar este delito!), não me parece um avanço cultural!
Se no capítulo das praxes académicas, a cultura anglo-americana está mais avançada, neste sector, está certamente ainda no campo da pequena barbárie!
Considero um retrocesso ver os nossos jardins-de-infância, as nossas escolas básicas e até as secundárias…embarcarem acriticamente numa suposta tradição que não é mais do que uma confrangedora rendição ao mercantilismo.
Como ando a ler o último livro de João Magueijo, acalento a esperança de ver desmontada esta estranha tradição dos Bifes!




terça-feira, 28 de outubro de 2014

 SÓ OS GOVERNOS MALTRATAM A EDUCAÇÃO?



Como professora há mais de 30 anos, tenho apreciado a linguagem e o comportamento dos Encarregados de Educação ao longo dos tempos e há uma permanência muito significativa: na hora do insucesso, compram para os seus educandos qualquer serviço, sem olhar à qualidade científica e pedagógiaca e o pior é que, quando os resultados não evoluem como querem, nunca culpam os «curandeiros».
Se tenho um problema jurídico, recorro a um enfermeiro, só por ser barato?
Se tenho um problema de saúde, recorro a um professor?
Se quero construir uma casa, peço a ajuda de um médico?
Não, pois não? Está tudo trocado!...
Então, se tenho um problema com uma disciplina científica, porque será que recorro a um explicador, mesmo formado, especialista em outro ramo, muitas vezes sem qualquer preparação pedagógico-didática?!...
Será que o faço por não compreender o que é um professor? Será que acho que qualquer um pode ser professor? Será que, no íntimo, até acho que desde que alguém tenha um canudo, serve?
Até mesmo sem canudo, não?!
Que autoridade temos, então, para dizer que os governos não investem na educação, se os próprios encarregados de educação a tratam como o parente menor, destinando-lhe a fatia mais magra?
E não pensemos que o professor que tem mais de 30 alunos por turma, metade sem pré-requisitos, tem a obrigação de obter sucesso total. Não sejamos tão idealistas. Enquanto as condições objetivas forem as atuais, os alunos sem bases, terão sempre que recorrer a ajudas extra-aula, mas terão que recorrer à ajuda correta e não à que dá mais jeito!
Pagam a «especialistas» para lhes repetirem o que está no manual e ainda ficam admirados?!

E nem vou falar na economia paralela!...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A CONFAP, OS MANUAIS E A INCOMPREENSÃO DO PRESENTE


A própósito dos bancos de manuais que pululam por aí e cuja ideia surgiu, penso eu, para ajudar os mais necessitados, convém refletirmos um pouco.
A CONFAP já anda a pedir que os manuais se centrem nos conteúdos para facilitar a troca!
 Já há populares a remeterem para o tempo dos livros únicos!
Enfim, a manualização e o apelo ao estudo sem estudo, ou seja, o aluno deve ler, sem sublinhar, sem resolver tarefas, sem fazer setas, sem numerar parágrafos, tudo, de modo a facilitar a futura troca!
E como vão estudar para os exames, se já depositaram os manuais nos 2 anos imediatamente anteriores?
Estamos no século XXI e queremos preparar o cidadão do futuro, um cidadão que reflita, que problematize, que seja empreendedor, que não se limite a vomitar saberes feitos, que saiba usar as novas tecnologias, que saiba transformar a informação em conhecimento.
No entanto, por causa da crise, queremos que os manuais tragam só informação?! Informação que está por aí, ao sabor de um clique!
Um bom manual é o que, sem conter erros informativos, aposta essencialmente nas tarefas, nos desafios que propõe, nos aspetos didáticos…
Como podemos colocar o utilitarismo na base do ato educativo?
Não será empobrecedor apelar a manuais centrados na informação?
Como vamos preparar os alunos para o conhecimento? Dando só informação? Iludindo ainda mais com a ideia de que informação é conhecimento? Desprezando os desafios pedagógicos?

terça-feira, 29 de julho de 2014

A DITA GERAÇÃO COM MAIS FORMAÇÃO?!


Às vezes existem mentiras repetidas que se tornam verdades.
É o que se passa com o equívoco da quantidade/qualidade relativamente aos atuais cursos superiores.
Alguém se lembrou de dizer que temos a geração com mais qualificação de sempre e com certeza estava a referir-se a quantidade. Sim, nunca tivemos tanta gente com formação universitária como hoje e ainda devíamos ter mais.
Mas o facto de termos mais gente com habilitação superior não nos pode levar a achar que os atuais mestrados equivalem sequer às antigas licenciaturas.
Vejamos.
Na minha geração as licenciaturas eram de 2 ciclos e demoravam 5 anos. Quem quisesse ir para o ensino, por exemplo, tinha que fazer mais 2 anos de estágio e quem quisesse fazer mestrado tinha que enfrentar mais 2 anos curriculares e, no mínimo 2 para a tese.
Somem lá e comparem então!
Hoje, com 2 ciclos e os mesmos 5 anos, sai-se, não licenciado, mas mestre e com habilitação para a docência; ou seja, com apenas 23 anos um jovem é mestre e professor, o que antigamente só se conseguiria aos 29 anos e se tudo corresse bem!
Então ninguém pára para pensar que o que há é mais gente com estudos e ainda bem, mas hoje, precisamente, estuda-se menos para alcançar os mesmos títulos?!
Estão a pensar: e então os nossos doutorados?!
Exatamente o mesmo fenómeno! Há muito mais doutorados, obviamente, e é ótimo! Mas esses doutorados alcançam o título com uma rapidez incrível, se comparamos com o árduo e longo processo de doutoramento das gerações anteriores!
Não lamento, antes pelo contrário! Mas não acho justo comparar o incomparável!

Sim, é muito mais democrático o atual processo! Seria impensável continuarmos com cursos tão exigentes como antigamente, pois agora já não temos um ensino tão elitista! Mas não me venham dizer que temos a geração mais bem preparada de sempre! Temos é mais gente com preparação e é preferível ter mais gente com estudos superiores, mesmo que estes sejam mais ligeiros! 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

AGORA QUE A GUERRA ISRAELO-PALESTINIANA ESTÁ NOVAMENTE AO RUBRO, APETECE-ME PERGUNTAR:

E SE O PROJETO DE COLONIZAÇÃO JUDAICA EM ANGOLA NÃO TIVESSE FALHADO?




LOGO NO INÍCIO DA NOSSA PRIMEIRA REPÚBLICA A ITO (ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL JUDAICA) ESTEVE QUASE A CONCRETIZAR O SONHO DE UM TERRITÓRIO-ALBERGUE PARA OS JUDEUS, NO PLANALTO DE BENGUELA, EM ANGOLA.
 O PROJETO FOI ENCARADO COMO UMA ESPÉCIE DE REPARAÇÃO MORAL POR TERMOS EXPULSO OS JUDEUS DO NOSSO PAÍS, NO SÉCULO XV!
A CÂMARA DOS DEPUTADOS DEBATEU AMPLAMENTE AS DUAS PROPOSTAS SURGIDAS E APROVOU, A 15 DE JUNHO DE 1912, O CHAMADO PROJETO Nº 159.
PORÉM, AO SEGUIR PARA O SENADO (O SISTEMA DE ENTÃO ERA BICAMARAL), COMEÇARAM OS PROBLEMAS E TUDO FRACASSOU.
ENTRETANTO, A MEIO DA PRIMEIRA GRANDE GUERRA, A DECLARAÇÃO DE BALFOUR (1917) ACALENTAVA OUTRO SONHO: A POSSIBILIDADE DA PÁTRIA JUDAICA NA TERRA BÍBLICA.
O SIONISMO ORTODOXO VENCERA O TERRITORIALISMO!
AINDA VIRIA A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL … O HOLOCAUSTO … O NASCIMENTO DO ESTADO DE ISRAEL … A GUERRA INTERMINÁVEL.

COMO NUNCA É DEMAIS REFLETIR, FAÇAMOS UM EXERCÍCIO DE HISTÓRIA VIRTUAL:
 E SE A PALESTINA PORTUGUESA SE TIVESSE CONCRETIZADO?

sábado, 14 de junho de 2014

DOIS HOMENS DE CORPO INTEIRO

O PAPA FRANCISCO E HENRIQUE CYMERMAN


ONTEM A SIC NOTÍCIAS APRESENTOU MAIS UMA ENTREVISTA DO EXCELENTE JORNALISTA HENRIQUE CYMERMAN AO GRANDE PAPA FRANCISCO, SEGUIDO DOS COMENTÁRIOS DE FREI BENTO DOMINGUES E JOAQUIM FRANCO, COM A MEDIAÇÃO DA JORNALISTA ANA LOURENÇO.
O PAPA ABORDOU UMA SÉRIE DE CONCEITOS E TEMAS, COMO A IDOLATRIA DO DINHEIRO, A HERMENÊUTICA DE CADA ÉPOCA, O QUE SIGNIFICA SER REVOLUCIONÁRIO, A POLÍTICA COMO UMA ARTE NOBRE QUE TEM QUE SER REABILITADA, O ANTI-SEMITISMO, O NEGACIONISMO DO HOLOCAUSTO, A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS NO MUNDO ATUAL, QUE É SUPERIOR À DA ANTIGUIDADE, A BONDADE INTERPRETATIVA, A GLOBALIZAÇÃO E A VISÃO POLIÉDRICA, A DIFERENÇA ENTRE POBREZA E PAUPERISMO, O PAPA PRÍNCIPE OU O PAPA SERVIDOR, A ABERTURA DOS ARQUIVOS DO VATICANO, AS INDEPENDÊNCIAS DE SECESSÃO E AS INDEPENDÊNCIAS DE LIBERTAÇÃO ...
FRANCISCO REVELOU-SE MAIS UMA VEZ UM HOMEM QUE APENAS QUER SER LEMBRADO COMO ALGUÉM QUE FEZ ALGO PELA HUMANIDADE E QUE, SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES, É UM PÓS-MODERNO, UM HOMEM QUE NÃO TEM A ARROGÂNCIA DE QUE A SUA VERDADE É A VERDADE, MAS ALGUÉM QUE BARALHA AS CARTAS DE UM JOGO E PROVOCA DESCONCERTO, OBRIGANDO À REFLEXÃO E GERANDO MUDANÇAS RÁPIDAS, QUEBRANDO MUROS, MESMO OS MUROS DE VIDRO, COMO O DO PAPAMÓVEL ...
O PAPA QUE QUER PÔR AS PESSOAS NO CENTRO E NÃO APENAS A PESSOA ... PESSOAS CONCRETAS DE CARNE E OSSO ...
E A DELICIOSA PERGUNTA QUE DIRIGE AO SEU INTERLOCUTOR SOBRE A DIFERENÇA ENTRE TERRORISMO E PROTOCOLO? E A SUBVERSIVA E DESCONCERTANTE RESPOSTA: É QUE NO TERRORISMO EXISTE POSSIBILIDADE DE DIÁLOGO, AO PASSO QUE NO PROTOCOLO, ELA NÃO EXISTE!... 
E ESTA?! 
QUE REFLEXÃO PROFUNDA, QUE DESCONSTRUÇÃO DO POLITICAMENTE CORRETO…
ENFIM, MAIS DE UMA HORA DE AGRADÁVEL DIÁLOGO ENTRE DOIS GRANDES DE HUMILDADE E SIMPLICIDADE.




sexta-feira, 30 de maio de 2014


TALENTOS, CIÊNCIA, IGNORÂNCIA E PRECONCEITO


Preconceito, sim, mas não é só em relação à mulher!
Há ainda muitos outros preconceitos que impedem o avanço da Ciência e vêm do seu interior!
A propósito de um artigo de Carlos Ramos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, publicado no Público online de 28-5-2014, apetece-me perguntar se ainda estamos no início do século XX, quando Einstein ainda não tinha demonstrado que o conceito cartesiano de ciência estava ultrapassado?!
Mais de um século decorrido, continua o preconceito em relação às Ciências Sociais e continuamos a hierarquizar ciências, como se hierarquizava as artes, dividindo-as em maiores e menores e até ignorando outras, que nem entravam na classificação!
Apesar da atual conjuntura e da evidência de que a crise global que estamos a viver se deve, entre outros factores, ao desprezo pelas Humanidades, ainda continuamos a identificar Ciência com provetas, laboratórios, fórmulas!
Experimentem clicar na Internet e vejam o que aparece e, sobretudo, o que não aparece!...
Neste contexto, é notável a coragem do já chamado Marx do século XXI, o economista francês Thomas Piketty, o qual tem afirmado que se tivesse ficado no tão famoso MIT teria feito textos teóricos, pois, sem pesquisa histórica nunca chegaria às Fontes.
Homenageemos também o saudoso Barradas de Carvalho que nos ensinou aquela máxima: qualquer ciência que ignore a dimensão histórica, pode até pensar que o é, mas nunca o será!...
Ora, o supradito Bastonário lamenta a saída de talentos e faz muito bem.
 Já não parece tão bem, identificar talentos com engenheiros e cientistas apenas das áreas tradicionais.
 Os outros também fazem falta! Também há «Brains» em outras áreas!
Se as ciências têm todas que trabalhar em colaboração, então lamentemos a fuga de talentos de todas as áreas, independentemente dos mercados e dos critérios socialmente mais badalados!...




quarta-feira, 28 de maio de 2014

O «ARCO DA GOVERNAÇÃO» OU CONTINUAMOS NO SÉCULO XIX?







SERÁ QUE AS CRÍTICAS DE BORDALO PINHEIRO AINDA CONTINUAM ATUAIS?

ESTE ROTATIVISMO PARTIDÁRIO É PARA CONTINUAR?

RESPONDA QUEM SOUBER...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

ELEIÇÕES EUROPEIAS DE 2014

INFELIZMENTE, MAIS UMA OPORTUNIDADE PERDIDA!
E NÃO ME VENHAM DIZER QUE OS CIDADÃOS ESTÃO DESLIGADOS DA PROBLEMÁTICA EUROPEIA PORQUE O PROJETO EUROPEU NÃO INTERESSA!
AS CAMPANHAS ELEITORAIS SÃO PARA QUÊ? OS POLÍTICOS NÃO TÊM OBRIGAÇÃO DE FAZER PEDAGOGIA?
A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE NÃO OBRIGARIA A UMA CAMPANHA DIGNA?
QUE SE FEZ DESTA CAMPANHA? QUEM EXPLICOU AO POVO O QUE ESTAVA VERDADEIRAMENTE EM CAUSA?
E OS JORNALISTAS? NÃO DEVERIAM TER EXERCIDO UM PAPEL MAIS RESPONSÁVEL?
TODA A GENTE EMBARCOU NAQUELA VELHA E TONTA IDEIA DE CASTIGAR GOVERNOS!
E SE SE USASSE AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS PORTUGUESAS PARA CASTIGAR OS AUTARCAS? NÃO SERIA ESTÚPIDO? MAS, EM ESCALAS DIFERENTES, É O QUE SE FAZ SEMPRE COM AS ELEIÇÕES EUROPEIAS!
QUEM TEM MEDO DE EXPLICAR AO POVO QUE NO PARLAMENTO EUROPEU NÃO HÁ BANCADAS POR PAÍSES?
QUE GRUPOS POLÍTICOS ESCLARECERAM OS SEUS ELEITORES SOBRE A BANCADA ONDE PRETENDEM SENTAR-SE?
QUEM EXPLICOU QUAIS OS ORGÃOS DA UNIÃO, SUAS ATRIBUIÇÕES E FUNCIONAMENTO? QUEM DISCUTIU O FEDERALISMO? QUEM DEBATEU QUESTÕES EUROPEIAS MESMO?
TÊM MEDO DE QUÊ?!...
VAMOS OUVI-LOS NO DOMINGO À NOITE!...
ANTÓNIO NÓVOA E A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL

A jornalista Carolina Freitas entrevistou Sampaio da Nóvoa (JL de 30 de abril a 13 de maio de 2014) e o resultado foi uma excelente conversa sobre educação que nada tem a ver com o tão apregoado e inexistente eduquês. Este exímio pedagogo sublinhou várias ideias que são o oposto do que está na moda dizer. Por exemplo, o otimismo e o pessimismo, o empreendedorismo e a excelência, a corrida aos cursos que dão empregos, etc..
Contrariamente ao que normalmente acontece, este estudioso da Educação não apresenta uma visão catastrofista da realidade (ou não fosse ele da História!) e apresenta os 4 «Es» da atual política educativa em Portugal (se é que ela existe?!) de um modo muito crítico e reflexivo, desconstruindo-os mesmo. Escolha, Excelência, Empregabilidade e Empreendedorismo não são a panaceia ideal e nem sequer culpa as palavras e os conceitos em abstrato, mas a forma como se usa e abusa destes conceitos.
O modo como define o professor (aquele que ensina os alunos que não querem aprender), as referências à Cidade Educadora (por oposição ao conceito de escola transbordante que tão bem definiu na obra EvidenteMente) e a ancoragem no contrato educativo do século XXI (A Educação faz-se em todos os Lugares) fazem desta entrevista um espaço de otimismo e uma pedrada no charco neste clima árido em que caiu o discurso sobre Educação nos últimos tempos.


sábado, 26 de abril de 2014

A SALA DE AULA/DIÁRIOS DE UMA SALA DE AULA

Contrariamente ao que tenho ouvido, não considero que esta obra de Filomena Mónica preste um bom serviço à educação, ao ensino e aos professores. Admiro e sempre admirei o trabalho da autora, mas, ela própria insiste em afirmar que não seguiu os passos de uma investigação científica, pois a amostra não é significativa. E não é!
Li atentamente todos os diários e, com os meus 33 anos de experiência, sendo 28 deles na mesma escola, sei identificar cada tipo de registo e de narrativa. Desde aquela clássica lamúria dos que supostamente não gostam de cargos, mas adoram tê-los, aos que gostariam muito de só dar aulas, mas têm muitos projetos e, por isso, ficam sem tempo para o que mais gostam, aos que, por serem diretores de turma, se armam em papás dos alunos, etc. etc.…
Os bons alunos aparecem quase sempre como os que já estão motivados e as narrativas são no sentido de que os não motivados atrapalham. Sim, atrapalham, mas se se tiver consciência de que, em democracia, motivá-los é tarefa da escola, talvez se trabalhasse de outro modo. Imaginem, transpondo para o campo da saúde, que o médico achava que tinha direito a só trabalhar com utentes sãos e os outros só atrapalhavam?!
Por outro lado, MFM revela incompreensão de certos fenómenos, caindo, por exemplo, no mesmo erro de Nuno Crato, confundindo Ciências da Educação com certas tendências dentro das Ciências da Educação, como quem confunde a floresta com uma das suas árvores!
 Fala da plataforma moodle com um desconhecimento total e cai até no caricato, dando a entender que é uma coisa onde o ministério despeja informação e burocracia! Fala dos exames de História com alguma distorção e como se a formação para os docentes que classificam exames não visasse também contribuir para mudarem as suas práticas, ou seja, parece que durante os três anos do secundário se ensina e se avalia de um modo e depois, em contexto de exame, surpreendentemente, os professores são convidados a avaliar de outro modo! E também aqui há exageros e erros, como quando afirma que, na linha da multiperspetiva científica, se coloca duas fontes com opiniões diferentes sobre o mesmo assunto (as visões de Álvaro Cunhal e de Mário Soares sobre certos aspetos do tempo do PREC) e se pede ao aluno que comente! Ora, o que se pede é que o aluno mostre que os dois políticos têm visões opostas e não estou a ver qual o mal?!
Sobre a avaliação dos docentes havia muito, muito a aprofundar … tal como sobre a suposta fraca autonomia das escolas, as burocracias, as imensas e demoradas reuniões, o modo como se escolhe os manuais, os cursos profissionais e o modo como as escolas optam por certos cursos e não por outros, o desprezo pelas Artes e pelas Humanidades, o ostracismo a que votam os elementos mais dinâmicos, enfim, os chamados poderes invisíveis e os lobies instalados.
Enfim, um livro com muitas virtudes, nomeadamente, a de pôr toda a gente a refletir sobre o dia-a-dia dos professores, o que é sempre muito salutar e nós, professores, só temos que lhe agradecer, pois tem toda uma máquina mediática a divulgar tudo o que escreve … mas, feitas as contas, continuo a achar que traz uma visão catastrofista do ensino democrático.
Quem não está dentro do sistema fica assustado e, se tiver filhos em idade escolar, vai a correr tirá-los da escola pública e matriculá-los no ensino privado!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O VINTE E CINCO DE ABRIL EM CONGRESSO
REVOLUÇÃO. SIGNIFICADO E BALANÇO

APÓS A SESSÃO DE ABERTURA, ONDE NÃO FALTOU O PAULO DE CARVALHO E A CANÇÃO, O CONGRESSO ORGANIZADO PELO INSTITUTO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA, ARRANCOU COM UM PAINEL DE LUXO.
NA SALA GARRETT DO TEATRO D. MARIA E SOB MODERAÇÃO DE ROMERO DE MAGALHÃES, DISCURSARAM ANICETO AFONSO, FREITAS DO AMARAL, FERNANDO ROSAS, PACHECO PEREIRA E MÁRIO SOARES.
NA PLATEIA, CENTENAS DE CIDADÃOS ANÓNIMOS COMO EU, DEZENAS DE MILITARES DE ABRIL, COMO VASCO LOURENÇO, PEZARAT CORREIA E VÍTOR CRESPO, PERSONALIDADES, COMO JOÃO CRAVINHO, BRANDÃO DE BRITO, MARIA EMÍLIA BREDERODE SANTOS, MARIANO GAGO E TANTOS OUTROS.
CADA ORADOR, À SUA MANEIRA, INCENTIVOU A UMA REFLEXÃO PROFUNDA SOBRE ESTAS 4 DÉCADAS DE DEMOCRACIA.
DA ASSISTÊNCIA SURGIRAM PERGUNTAS COMO: SERÁ QUE HOUVE MESMO REVOLUÇÃO? QUAL O PAPEL DA CONTRA-REVOLUÇÃO? E OS MILITARES ESQUECIDOS? PORQUE RAZÃO SE FALA POUCO DE COSTA GOMES E DE ERNESTO MELO ANTUNES? E AGORA, PASSADOS 40 ANOS, COMO FAZER CUMPRIR ABRIL?
FREITAS DO AMARAL COLOCOU A TÓNICA NA NECESSIDADE DE UM NOVO PARTIDO, CASO O PS NÃO CONSIGA REVER-SE NESTA DIREÇÃO E/OU NÃO SE CONSIGA UMA COLIGAÇÃO À ESQUERDA. FERNANDO ROSAS LAMENTOU QUE OS GOVERNOS CONSTITUCIONAIS NÃO TIVESSEM SIDO MAIS RADICAIS. PACHECO PEREIRA LEMBROU QUE DESDE 28 DE MAIO DE 1926 ATÉ 25 DE ABRIL DE 1974 NUNCA HOUVE UM ÚNICO DIA COM LIBERDADE. MÁRIO SOARES, SEM RODEIOS, AFIRMOU QUE NÃO VIVEMOS EM DEMOCRACIA E QUE URGE DERRUBAR ESTE GOVERNO.
O CONGRESSO PROSSEGUE ATÉ AO DIA 24. 
A ENTRADA É LIVRE E VALE MUITO A PENA.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O 25 DE ABRIL NA ESCOLA SECUNDÁRIA DE PALMELA



NO PRÓXIMO DIA 24 TEREMOS NO NOSSO AUDITÓRIO, A PARTIR DAS 10 HORAS, O SENHOR CORONEL NUNO SANTOS SILVA, PARA UMA CONVERSA COM OS NOSSOS ALUNOS SOBRE O VINTE E CINCO DE ABRIL.
SERÁ UMA ENORME HONRA PODER CONTAR MAIS UMA VEZ COM A DISPONIBILIDADE DA ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL, TANTO MAIS QUE, NESTA EVOCAÇÃO DOS 40 ANOS DA REVOLUÇÃO, OS MILITARES DE ABRIL TÊM VINDO A SER MALTRATADOS PELO PODER POLÍTICO. 
QUEREMOS MOSTRAR-LHES QUÃO RECONHECIDOS ESTAMOS POR NOS TEREM DEVOLVIDO A LIBERDADE E POR TEREM ABERTO TANTAS PORTAS.
BEM HAJAM!
SERÃO SEMPRE OS NOSSOS HERÓIS!
QUEREMOS AGRADECER TAMBÉM À AUTARQUIA DE PALMELA, QUE SEMPRE ATUA COMO LÍDER DE UMA CIDADE EDUCADORA E ACARINHA AS NOSSAS INICIATIVAS. TEREMOS TAMBÉM A HONRA DE CONTAR COM A PRESENÇA DA SENHORA VICE-PRESIDENTE, D. ADÍLIA CANDEIAS E COM O REPRESENTANTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL, SR. CARLOS CAÇOETE.
DESDE JÁ, O NOSSO MUITO OBRIGADA.